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A Cimeira da NATO, que teve lugar no País de Gales, em 4 e 5 de Setembro passados, marcou uma intensificação da política de agressão deste bloco político-militar imperialista.
Nesta Cimeira foram tomadas decisões para reforçar a sua capacidade de actuar e intervir militarmente em qualquer parte do globo, para defender os interesses dos grandes grupos económico e financeiros do "mundo ocidental".


Não foi por acaso que o tema central desta Cimeira foi o fortalecimento da presença da NATO na Europa numa altura em que se verificam acontecimentos sangrentos na Ucrânia e reemerge a intensificação de confronto com a Federação Russa – a um tempo pretexto para justificar a continuada existência desta Aliança belicista e para mobilizar e subjugar mais e mais aliados e "parceiros" no seu seio.


A NATO procurou nesta Cimeira dirimir as contradições inter-imperialistas Atlânticas para promover uma maior cumplicidade entre os EUA e a UE – continuando a subordinar a UE aos interesses geoestratégicos dos EUA –, de forma a alcançar uma posição de maior força para cercar e confrontar a Rússia, fomentando assim o foco de uma "guerra fria" que se insere na estratégia de tensão permanente contra a soberania de Estados, abrindo espaço ao prosseguimento de guerras económicas, militarismo, corrida aos armamentos, instalação de bases militares, militarização das relações internacionais, guerras de ocupação e espoliação de povos e territórios.


Em nome da "Segurança Europeia" a Cimeira avançou com um "Plano para o aumento das despesas militares da NATO" em que foi decidido que cada país membro aumentasse os seus orçamentos militares para mais de 2% do respectivo PIB. A Cimeira da NATO reafirmou a instalação do chamado "Sistema de Defesa Antimíssil", que, efectivamente, tem carácter ofensivo. A Cimeira decidiu ainda a criação de uma força de Reacção Rápida constituída por vários milhares de militares, em bases alternadas na Europa de Leste, que torne possível o agrupamento em apenas 48 horas de 5000 homens numa força de combate junto às fronteiras com a Rússia. Foi ainda decidido estreitar as ligações da NATO com os três países do Báltico – Estónia, Lituânia e Letónia – e afirmado o desejo de reforçar as parcerias da NATO com a Geórgia, a Moldávia e a Jordânia, bem assim como intensificar as conversações para a integração do Montenegro na NATO.


Por outro lado, entre outras iniciativas no quadro da "Connected Forces Initiative", a NATO anunciou um exercício militar de alta visibilidade designado "Trident Juncture 2015", mobilizando 25.000 homens, a ser acolhido por Espanha, Portugal e Itália já em 2015.


Estas medidas anunciadas pela NATO só podem abrir caminho e, eventualmente, conduzir ao alastramento de graves confrontos militares localizados e, mesmo, ao risco de alargamento perigoso do permanente estado de conflito, com consequências imprevisíveis à escala mundial.


Em relação ao combate ao grupo denominado "Estado Islâmico" (EI) foi decidida a constituição duma coligação de 10 Países – Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, Austrália, Turquia, Itália, Polónia e Dinamarca –, que possam efectuar ataques contra o EI, quer no Iraque quer na Síria, o que sugere a intenção de mais uma escalada na política de violência cega e de persistência na violação da soberania e na ocupação destes países por parte dos EUA.


A Cimeira assumiu o seu apoio às sanções económicas contra a Rússia, utilizando a crise ucraniana como pretexto para implementar planos concebidos há muito tempo de aproximação da NATO a países limítrofes da Rússia, ao processo de assimilação de Kiev, e ao aumento da tensão na Europa de Leste.


A Cimeira veio reafirmar e reforçar a natureza agressiva da NATO no seu objectivo estratégico imperialista contra a soberania e os direitos e aspirações dos povos.


A Cimeira da NATO veio confirmar a necessidade de uma cada vez mais ampla frente da paz em Portugal que reclame a retirada das forças portuguesas envolvidas em missões da NATO, que responsabilize os sucessivos governos portugueses por, em claro desrespeito pela Constituição da República Portuguesa e pelos princípios da Carta da Nações Unidas, terem seguido uma política de subserviência e de envolvimento de Portugal na estrutura e em missões de agressão da NATO a outros povos, que afirme como urgente a dissolução da NATO, o desarmamento geral e controlado, o fim das bases militares estrangeiras em Portugal e das armas nucleares e de destruição massiva.