*Intervenção CPPC
Iniciativa de 21.05.2012 em Lisboa

Boa tarde amigos,
 
 
Agradecemos sincera e fraternalmente a participação de todos nesta iniciativa que procura expressar, de forma simbólica, mas firme e resoluta, a nossa repulsa pela NATO, pelos seus objectivos e acção, que constituem uma permanente ameaça à paz e segurança internacionais.
Estamos hoje reunidos nesta iniciativa para denunciar a Cimeira da NATO, que ontem e hoje se realizou em Chicago, onde se confirmaram e aprofundaram os objectivos militaristas e bélicos desta organização, que é responsável por guerras injustas e ilegítimas, incontáveis crimes e por graves violações dos direitos humanos e dos povos.


Nesta Cimeira esteve em discussão a sua denominada “retirada ordenada” do Afeganistão, a grave e perigosa instalação do sistema antimíssil dos EUA na Europa e o compromisso dos países membros da NATO no desenvolvimento de novas e sofisticadas capacidades militares e na partilha de meios e de custos da sua política belicista – ou seja, mais do mesmo.
A existência da NATO é antagónica à Paz mundial, como se tem verificado desde a sua criação em 1949. Mas os objectivos que proclama são também contrários e incompatíveis com a Constituição da República Portuguesa, que consagra, por exemplo, a abolição dos blocos político-militares, bela expressão do desejo do povo português de alcançar e defender a paz no mundo.
No entanto, infelizmente, muitos são os exemplos da actuação criminosa da NATO, como é o caso das recentes notícias que nos chegam da Líbia, onde após a intervenção da NATO na suposta defesa dos direitos humanos dos cidadãos líbios, acaba por agora ser indiferente à prática reiterada de tortura nas prisões deste país.
Trágicas têm sido outras intervenções da NATO que a História não deixa apagar, como são as intervenções militares no Iraque, no Afeganistão e na Jugoslávia, que sempre fez (e faz) ao arrepio dos princípios do Direito Internacional Público.
Esta estrutura militar tem servido os EUA e os seus aliados na sua sede de domínio militar, de controlo de recursos naturais e de mercados e de superioridade geoestratégica, em prejuízo de milhares de vidas humanas, destruição de países e recursos, o que faz subvertendo a Carta da Organização das Nações Unidas.
Com o seu “Conceito Estratégico” renovado em 2010, na sua Cimeira em Lisboa, a NATO reafirma abertamente o seu carácter ofensivo e arroga-se no “direito” de intervir militarmente, sempre que considere que estão em causa os interesses económicos, políticos e geo-estratégicos dos EUA com o seu pilar europeu, a União Europeia – doutrina que procura continuar a concretizar agora em Chicago.
Neste momento em que a se multiplicam e anunciam os desejos bélicos de agressão a países soberanos, como são a Síria e o Irão, denunciamos o aproveitamento que tem sido feito dos grandes meios de comunicação social, pelos quais se disseminam mentiras e se tentam enganar os povos do mundo para justificar mais uma escalada de guerra.
Sob o pretexto do “combate ao terrorismo”, da não proliferação de “armas de destruição massiva” ou da dita “ingerência humanitária”, a NATO tem promovido a militarização das relações internacionais, a corrida aos armamentos, a ameaça do terror nuclear, a ingerência, as agressões e ocupações militares, tornando o mundo mais inseguro e violento.
A isto soma-se o atual contexto de crise económico-social, que tem sido utilizado para retirar os direitos e as conquistas dos trabalhadores e dos povos, ao mesmo tempo em que as despesas e o investimento em novas tecnologias militares aumentam. Vejam que cerca de 70% dos gastos militares no mundo são dos países membros da NATO, os mesmos países que são responsáveis pela agudização da situação económica e social dos seus povos.
Os sucessivos governos portugueses têm estado comprometidos com a NATO e a sua acção criminosa, enviando tropas portuguesas para actos de agressão a outros povos, e utilizando milhões de euros para adaptar e dispor as Forças Armadas Portuguesas às exigências da NATO, ao mesmo tempo que impõem sacrifícios ao povo português, colocando em causa os seus direitos sociais.
Dando continuidade aos objectivos e aos compromissos da Campanha “Paz Sim! NATO Não!”, realizada em Portugal, ao longo de 2010, a qual traduziu e expressou a vontade e o desejo do povo português de paz e da abolição desta organização bélica, militarista e agressora.
 
 
É justa e premente a nossa causa!
Paz Sim! NATO Não!