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pela paz nao a guerra dos eua contra o irao 1 20190802 1555150882

O Conselho Português para a Paz e Cooperação expressa a sua profunda preocupação com a crescente tensão militar no Golfo Pérsico promovida pelos Estados Unidos da América (EUA) que trouxeram de volta a ameaça de se lançarem numa nova guerra de agressão, desta feita contra o Irão, após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado, em Maio do ano passado, a decisão de retirar o seu país do Acordo sobre a Produção de Energia Nuclear pela República Islâmica do Irão, assinado em Julho de 2015, entre EUA, Alemanha, China, França, Rússia e Irão. Acordo cuja execução foi monitorizada pela Agência Internacional da Energia Atómica, organização da ONU, a qual foi unânime a atestar que o Irão cumpriu escrupulosamente a sua parte.

Após aquela decisão os Estados Unidos decidiram restaurar sanções políticas e económicas com carácter extra-territorial – abrangendo a exportação de petróleo e de minerais tais como ferro, aço, alumínio e cobre – à margem e em confronto com o direito internacional, deixando evidentes as suas intenções belicistas. A par disso, a 11 de Maio, a pretexto de uma hipotética ameaça do Irão aos seus interesses e dos seus aliados na região, os EUA decidiram reforçar a presença militar no Golfo Pérsico, com o envio de uma força composta pelo navio USS Arlington levando a bordo fuzileiros, veículos anfíbios, e mísseis Patriot, que se juntaram aos militares e armamento do porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln.

 

Um dos mais recentes pretextos para a escalada belicista dos EUA, foram as mal explicadas explosões em dois petroleiros no Estreito de Ormuz, pelas quais a administração norte-americana responsabilizou de imediato o Irão, sem qualquer evidência credível que sustentasse a acusação. O presidente norte-americano anunciou mesmo que esteve prestes a desencadear um ataque militar contra aquele país.

Na sequência da captura ilegal pelo Reino Unido de um petroleiro em Gibraltar, e da resposta do Irão apresando um petroleiro no Estreito de Hormuz, EUA e Reino Unido têm procurado promover a criação de uma alegada “coligação internacional” a pretexto de garantir a circulação de navios pelo referido estreito. A concretizar-se tal objectivo aumentaria ainda mais a presença militar na região e os riscos de um novo conflito militar de grandes proporções.

Depois das guerras de agressão contra o Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria e Iémen, e povos do Médio Oriente, como o povo palestino, continua-se a assistir à mentira, ingerência e agressão como modo de actuação dos EUA e seus aliados. A verdade é que os EUA ambicionam instalar, de novo, no Irão um regime subserviente para com os seus interesses hegemónicos e lhes dê acesso à exploração das imensas riquezas daquele país do Médio Oriente.

Perante esta situação o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) manifesta a sua preocupação com o evoluir da situação no Médio Oriente e em particular com as crescentes ameaças de agressão por parte dos EUA contra o Irão. Reconhecendo que os perigos para a paz são reais, o CPPC apela à intervenção, de todos os amantes da paz, em defesa dos princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional como garante da paz e base das relações entre os Estados e povos – única forma de impedir a imposição do arbítrio, da violência e da guerra nas relações internacionais.

O CPPC apela ao fim das ilegais sanções dos EUA contra o Irão e considera de exigir ao Governo Português que, na sua actuação, nomeadamente junto das instâncias internacionais e dos países envolvidos, contribua com os necessários esforços diplomáticos para impedir a escalada de guerra e promover o respeito do Direito Internacional numa região já tão flagelada como é a do Médio Oriente.

Direção Nacional do CPPC