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"Cimeira de Varsóvia
Ameaça aberta à segurança e à paz

Numa entrevista recente a um órgão de comunicação polaco, o Secretário-geral da NATO Jens Stoltenberg revelou os objectivos belicistas da cimeira de Varsóvia, dirigida contra a segurança e a paz na Europa e no mundo. Um dos propósitos centrais é precisamente o avanço da «linha da frente» das forças da NATO ainda para mais perto da Federação Russa, nomeadamente com a colocação de forças militares em diferentes estados do Leste da Europa. Esta medida aumentaria ainda mais a pressão militar em torno da Rússia, considerada pela NATO (a par da China) como seu «adversário estratégico»: nas duas últimas décadas, a NATO integrou a maioria dos países que compunham o Pacto de Varsóvia, instalando em muitos deles bases e instalações militares.

Na cimeira de Julho deverá ser também anunciada a criação recente da «Força de Intervenção Rápida», composta por cinco mil homens capazes de intervir em qualquer ponto do mundo em 48 horas; pelo menos parte destas forças deverão ficar instaladas em países do Leste da Europa. Esta cimeira surge poucos meses após a realização dos maiores exercícios militares da NATO das últimas décadas – no Sul da Europa (envolvendo Portugal) e a Leste, no Mar Negro, no Mar Báltico e na Ucrânia.

O apoio a países não membros como a Ucrânia, a Geórgia e a Moldávia (todos com fronteiras com a Rússia), bem como com a Tunísia, o Iraque e a Jordânia estão entre os propósitos da cimeira afirmados pelo Secretário-geral.

Outros dos objectivos da cimeira são o alargamento da presença e acção da NATO no Médio Oriente e Norte de África, o aumento do gastos militares dos países membros europeus da organização até dois por cento do PIB e o alargamento da cooperação entre a NATO e a União Europeia – definida como o seu pilar europeu.

«Escudo anti-míssil»: grave ameaça à Paz

O que é o chamado «Escudo de Defesa Anti-míssil»?
É um sistema que está a ser desenvolvido pelos EUA para detectar e interceptar qualquer tipo de míssil lançado de qualquer parte do mundo. Integram este sistema um conjunto sensores ligados em rede, satélites espaciais, radares terrestres e marítimos, mísseis interceptores terrestres e marítimos e uma rede de comunicação, comando e controlo.

Onde se situam os seus componentes?
Os elementos deste sistema são operados por pessoal militar dos EUA a partir do seu Comando Estratégico, do Comando do Norte, do Comando do Pacífico, do Comando Europeu (dos EUA) e das forças estacionadas no Japão. Os EUA têm programas de «defesa» anti-míssil com um grande número de países, incluindo o Reino Unido, o Japão, a Austrália, Israel, a Dinamarca, a Alemanha, a Holanda, a República Checa, a Polónia, a Itália, a Espanha, a Roménia e muitos outros. A Agência de Defesa Anti-míssil participa activamente em operações da NATO.

É um sistema defensivo, como alegam os EUA?
Só na aparência. Ao ser capaz de interceptar qualquer míssil, o sistema garante, na prática, aos Estados Unidos da América o monopólio deste tipo de armamento. Ao contrário do que sucede actualmente, os EUA poderiam lançar um ataque (inclusivamente nuclear) contra um qualquer país do Mundo, ficando a salvo de uma eventual resposta.

Que consequências pode ter, para a paz, este sistema?
A primeira consequência é, desde logo, o já referido monopólio nuclear de facto que pode proporcionar para um país isoladamente, no caso os EUA, o único a ter utilizado armamento nuclear e que nunca expressou o compromisso de não o fazer novamente em primeiro ataque. Este sistema levará também, e inevitavelmente, à corrida aos armamentos por parte de outros países que procurarão formas de o contornar ou neutralizar. A sua plena entrada em funcionamento significaria um drástico desequilíbrio de forças à escala mundial.