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A 2 de Agosto de 1990 o Iraque invade o Kuwait, alegando roubo de petróleo num campo petrolífero fronteiriço e razões territoriais históricas. Desta intenção os EUA tinham conhecimento prévio e dado acordo tácito através da embaixadora April Glaspie. A invasão foi imediatamente condenada pelos governos e forças políticas de todo o mundo. O Conselho de Segurança (C.S.) da ONU adoptou, no próprio dia, uma Resolução, a 660, condenando o

Iraque e exigindo a reposição da legalidade internacional. Invocando esta situação os EUA enviam forças armadas para a Arábia Saudita a 9 de Agosto e insistem para que o C.S. da ONU dê cobertura à intervenção armada, o que se vem a verificar a 29 de Novembro, dando até 15 de Janeiro para o Iraque sair do Kuwait. Entretanto a URSS, China e França insistem numa solução pacífica, o que é ignorado pelos EUA e Inglaterra que notoriamente já optaram pela resolução bélica. 3 horas da madrugada do dia 17 de Janeiro de 1991. Um devastador ataque aéreo iniciou a operação “Tempestade no Deserto”. Milhares de toneladas de bombas e mísseis, de tecnologia “estreada” nesta guerra, foram lançadas por centenas de aviões e ezenas de vasos de guerra norte-americanos e ingleses durante 40 dias. A 24 de Janeiro começou a operação terrestre com cerca de 500 mil soldados, dos quais 450 mil eram norte-americanos, muito embora a “coalizão” fosse formada por 29 países e apoiada pela NATO. No dia 26 as tropas iraquianas, já em retirada, são massacradas pela aviação da “coalizão” na que ficou conhecida como a “estrada da morte”, numa acção sem utilidade militar que só pode ser entendida como um castigo e um aviso a outros.
Dois dias depois, a 28, o Presidente dos EUA, Bush pai, ordena a suspensão das hostilidades. O conflito custou a “coalizão” 65 biliões de dólares e um milhar de mortes. O Iraque ficou destruído: com as redes sanitária, de distribuição de água e eléctrica seriamente danificadas, com a industria petrolífera semi destruída e paralisada, e teve um número calculado de 200 mil mortes entre soldados e civis. E mais grave ainda sofreu um embargo, imposto pela ONU, que juntamente com os efeitos do urânio empobrecido, utilizado nas munições da “coalizão”, veio a arruinar a saúde das populações, com efeitos que perduram até hoje, e que já causou um número estimado de 2milhões de mortes. 
6 de Março de 1991, G. Bush faz as seguintes afirmações no discurso da vitória: “…Agora, podemos ver um novo mundo chegando à vista. Um mundo em que existe a possibilidade muito real de uma nova ordem mundial. A vitória sobre o Iraque não foi conduzida como uma "guerra para terminar todas as guerras." Mesmo a nova ordem mundial não pode garantir uma era de paz perpétua. Mas uma paz duradoura deve ser a nossa missão…”
Anteriormente o Secretário de Estado, Dick Cheeney, afirmara: “…Ganhando o mais rapidamente possível a guerra, a América aparecerá mais forte aos olhos do mundo inteiro. E terá provado que tem os recursos para instaurar uma nova ordem mundial».
«Pensamos que os EUA têm exigências duráveis. Devemos manter a nossa capacidade em controlar os oceanos do mundo, cumprir os nossos compromissos na Europa e no Pacífico, ser capazes de desdobrar forças, seja na Ásia do Sudoeste ou no Panamá, para fazer face aos imprevistos, a fim de defender as vidas e os interesses americanos».
Fora decretada e instaurada “a nova ordem mundial”. Os EUA arrogavam-se o direito de serem policias do mundo e que a defesa dos “interesses americanos” seria o centro da legalidade. A “nova ordem mundial” foi o nome dado às pretensões hegemónicas do imperialismo norte-americano. Reflectia a intenção de domínio e aproveitamento das riquezas naturais mundiais e controlo de zonas estratégicas que garantissem esse domínio e impedissem o aparecimento de potências concorrentes.
A lista de atropelos ao Direito Internacional e de crimes cometidos pelas administrações norte americanos nestes últimos vinte anos é longa. Destacamos:
1991/2003- zonas de interdição aérea no Iraque, 1992 – Somália, 1993 – Iraque, 2000 – Colombia, 2001 – Afeganistão, 2002 – Prisão de Guantanamo, 2003 – Iraque, 2004 – “Voos da CIA”. A esta lista deve-se juntar o alastramento de bases militares por todo o globo, a dispersão de esquadras navais por todos os mares, a cumplicidade em golpes contra governos que não lhes sejam favoráveis, como Venezuela e Honduras, a cumplicidade com governos criminosos como os de Israel, as ameaças e provocações a Estados – Irão e Coreia. 20 anos depois, a “nova ordem mundial” trouxe mortes, mais insegurança e mais perigo para a humanidade. A situação no Médio Oriente piorou e é, neste momento, um potencial foco para uma guerra mundial.
O imperialismo usa a força para dominar. Criar condições para a paz, segurança e progresso da humanidade depende da luta dos povos e dos movimentos pela paz na defesa do direito internacional e no cumprimento da Carta das Nações Unidas A conquista de um mundo de justiça e paz depende de todos nós.