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Divulgamos entrevista com Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz que participou, no Panamá, da Cimeira dos Povos e na Cimeira das Américas.

"Cúpula das Américas fortalece luta por soberania dos países da região

A Cúpula das Américas, realizada entre os dias 9 e 11 de abril, no Panamá, entrou para a história como o primeiro fórum dos últimos 50 anos a contar com todos os países do continente, incluindo Cuba.

A ilha desenvolve negociações para uma aproximação diplomática com os EUA e esteve no centro das discussões durante o encontro e também ao longo da Cúpula dos Povos, reunião que ocorreu paralelamente, na capital panamenha.

A presidenta do Conselho Mundial da Paz e do Centro Brasileiros de Solidariedade aos Povos e e Luta pela Paz (Cebrapaz), Socorro Gomes, esteve nas duas cúpulas e conta como foi a interação cubana com as outras nações.

Segundo ela, outros temas importantes como as sanções contra a Venezuela, o problema de ingerências estrangeiras em assuntos internos e o apoio à luta contra o colonialismo, no caso de Porto Rico, também tiveram muito destaque.

Portal Vermelho: Pode fazer um panorama sobre como foi a Cúpula das Américas no Panamá?

Socorro Gomes: Foram duas cúpulas, uma de chefes de Estados e governos e a outra de representantes de movimentos sociais. No âmbito da Cúpula das Américas, realizou-se também um Encontro da Sociedade Civil. Foi nessa reunião que eu participei com maior força. Também tive participação direta na Cúpula dos Povos, realizada na Universidade do Panamá.

A Cúpula das Américas foi muito importante, primeiro porque os países, em sua grande maioria, condenaram as ingerências imperialistas na região. Inclusive, condenando que a maioria delas tenham sido feitas através da Organização dos Estados Americanos (OEA. Esse foi o tom.

Nessa cúpula oficial foram discutidos alguns temas muito importantes, o principal deles foi a questão da não ingerência. Foi feita a exigência de que existam relações de igual para igual, que se respeite o princípio da não ingerência e da autodeterminação dos povos, portanto, que haja relações respeitosas entre as nações.

E em ambas as reuniões houve unanimidade na exigência de revogação do decreto assinado pelo presidente Barack Obama que estabelece sanções contra a Venezuela.

Outro ponto muito importante foi o apoio à luta contra o colonialismo, no caso de Porto Rico.

O que a presença de Cuba, pela primeira vez, representou?

Discutiu-se sobre o bloqueio a Cuba e sobre a base de Guantânamo. A América Latina é uma região de paz, portanto há uma posição contrária à existência de bases militares.

O que também foi muito discutido, porque se tornou um problema, foi o credenciamento, por parte do Panamá, país anfitrião, de mercenários, facínoras, organizações criminosas, terroristas como a turma do Posada Carriles e até Félix Rodríguez, assassino do Che Guevara, como se fossem membros da sociedade civil cubana sendo que eles nem vivem lá há mais de trinta anos. Isto foi um acinte, uma provocação, uma infâmia, que provocou, a implosão de várias mesas no Encontro da Sociedade Civil, na Cúpula das Américas.

A própria OEA e os EUA estão por trás dessa organização do evento, o que demonstra também o que eles acolhem como sociedade civil. Por que este Félix, que foi o assassino do Che é considerado membro da sociedade civil? E Posada Carrilles, que explodiu um avião com mais de 70 pessoas de vários países? Isso não é, nunca foi e nunca será sociedade civil. São membros de organizações criminosas de mercenários e que nunca deveriam estar no nosso meio, mas estavam lá. Este fato gerou um grande protesto.

Qual o saldo da Cúpula das Américas?

De um modo geral, o saldo é positivo, a Cúpula das Américas foi uma vitória. Nesta ocasião, quero recordar a Cúpula dos Povos) de 2005, que enterrou a Aliança de Livre Comércio das Américas (Alca), que não passava de uma tentativa de anexação econômica e política do continente. A Alca foi fragorosamente derrotada, pela ação de lideranças como Hugo Chavez, Néstor Kirchner e Lula. Agora, mais uma vez, os países latino-americanos e caribenhos disseram não às ingerências, valorizaram a soberania e a autodeterminação.

Agora, vários chefes de Estado disseram: ‘Nós nunca mais seremos o pátio, o quintal dos EUA’. O presidente boliviano Evo Morales chegou a dizer: ‘Presidente Obama, deixe a sua política de aterrorizar os países’.

Raul Castro mostrou os grandes males provocados pelas diversas intervenções militares no continente, dentre elas, os golpes contra a própria Venezuela e contra Cuba.

Dilma, a presidenta do Brasil, levantou também a necessidade de suspender a sanção unilateral contra a Venezuela, dizendo que isso não tinha eficácia nenhuma e que prejudicava a busca por relações respeitosas.

Na Cúpula dos Povos, discutiu-se intensamente sobre a educação, a imigração e a justiça social, e especialmente, sobre o imperialismo, a não ingerência, a paz e a autodeterminação dos povos.

Um consenso foi a questão da República Bolivariana da Venezuela. Dizer que a Venezuela é uma ameaça aos EUA é uma subestimação da inteligência dos latino-americanos e caribenhos. É estarrecedor a maior potência do mundo, a potência mais armada da história da humanidade, com mísseis, escudos antimísseis, satélites de espionagem, bases navais afirmar que é ameaçada pela Venezuela, que se dedica exclusivamente a cuidar dos assuntos do seu povo, buscando combater a fome e a miséria.

Outra questão relevante foi o diálogo de paz na Colômbia. Por tudo isso, tanto a Cúpula das Américas como a Cúpula dos Povos resultaram em avanço.

Do Portal Vermelho"